Setembro Amarelo

Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. No Brasil, o projeto foi criado em 2015 em parceria entre CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) com a proposta de associar a cor amarela ao mês que marca o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio – dia 10 de setembro, instituído pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2003. Tem por objetivo divulgar, discutir o tema e dar visibilidade a essa importante causa, promovendo também ações como caminhadas, passeios ciclísticos, iluminação de monumentos públicos, dentre outras.

O suicídio é uma grande questão de saúde pública. Segundo a OMS, 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil, o que significa que o suicídio mata mais brasileiros do que doenças como a AIDS e o câncer. Segundo estudos de prevalência, cerca de 17% dos brasileiros já pensaram em se matar, em algum momento da vida. E ¼ dos jovens entre 18 e 24 anos considerou seriamente suicídio nos últimos 30 dias. A cada ano, em todo o mundo, o número de vidas perdidas desta forma ultrapassa o número de mortes decorrentes de homicídio e guerra combinados.

O suicídio é um fenômeno presente ao longo de toda a história da humanidade, em todas as culturas. É um comportamento com determinantes multifatoriais e resultado de uma complexa interação de fatores psicológicos e biológicos, inclusive genéticos, culturais e socioambientais. Dessa forma, deve ser considerado como desfecho de uma série de fatores que se acumulam na história do indivíduo, não podendo ser atribuído de forma casual e simplista apenas a determinados acontecimentos da vida do sujeito. É a consequência final de um processo que acarreta muito sofrimento para o indivíduo.

O risco de suicídio é considerado uma urgência médica e psiquiátrica e deve ser realizada uma avaliação sistemática por profissionais de saúde – de serviços de emergência, da atenção básica e do psiquiatra – com o objetivo de identificar fatores de risco e de proteção e desenvolver estratégias e intervenções efetivas. Uma abordagem adequada pode garantir que uma vida seja salva.

Sabe-se que os principais fatores de risco para o suicídio são: uma tentativa de suicídio prévia e o diagnóstico de um transtorno mental. Os indivíduos do gênero masculino, jovens entre 15 e 30 anos e idosos estão entre a população de maior risco.

Indivíduos que já tentaram o suicídio tem de 5 a 6 vezes mais chances de tentar novamente. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Os transtornos psiquiátricos mais comuns incluem depressão, transtorno bipolar, abuso/dependência de substâncias, transtornos de personalidade e esquizofrenia. Dessa forma, a identificação e o tratamento dos transtornos mentais pelo médico psiquiatra e o psicólogo estão entre os principais fatores de proteção na prevenção do suicídio.

Alguns eventos adversos e estressores na vida estão associados ao surgimento de pensamentos suicidas e a um maior risco de suicídio, como: separação conjugal, perda do emprego, falência, migração, perda de uma pessoa próxima; ter sofrido maus tratos, abuso físico, sexual ou psicológico na infância e/ou adolescência; falta de apoio familiar e social.

Devem ser observados os sinais de alerta que podem ser manifestação de uma ideação suicida: comentários que demonstrem desespero, desesperança e desamparo. Assim como uso de algumas expressões: “eu desejaria não ter nascido”, “caso não nos encontremos de novo”, “eu preferia estar morto”, “queria desaparecer”; considerar a morte como meio de “acabar com a dor”, “dar fim ao sofrimento”, “encontrar descanso”. Ou ainda comportamentos de despedida, como deixar bilhetes, mensagens em redes sociais, cartas, testamentos, ou qualquer atividade que sugira uma preparação para o suicídio.

Atentar-se quanto ao isolamento, mudanças marcantes de hábitos, perda de interesse por atividades de que gostava, descuido com a aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações de sono e apetite, impulsividade, pois tais alterações podem indicar necessidade de ajuda.

A ajuda inicial pode vir de um amigo, parente, colega de trabalho ou da escola, professores, ou alguém que está próximo a quem precisa. Também existem serviços como os do CVV – Centro de Valorização à Vida (atendimento 24h pelo telefone 188 ou pelo chat online no site) em que voluntários treinados oferecem suporte emocional gratuito para pessoas que estejam passando por alguma dificuldade e que possam pensar em tirar a própria vida.

É imprescindível que o indivíduo que tenha apresentado quaisquer dos sinais de alerta e fatores de risco seja encaminhado para avaliação especializada por equipe de saúde mental.

O tema suicídio não deve ser tratado como tabu. É essencial que as pessoas consigam falar sobre o assunto, para dar chance àqueles que precisam de ajuda receberem suporte adequado. Falar é sempre a melhor solução e a primeira medida preventiva é a educação (psicoeducação).

Site do CVV: www.cvv.org.br

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