Felicidade

No dia 20 de março comemoramos o Dia Internacional da Felicidade e decidimos compartilhar a síntese de alguns estudos sobre o tema para desenvolvermos uma reflexão de forma mais ampla sobre a Felicidade.

Felicidade

A Felicidade pode ser definida como um estado duradouro e completo de satisfação da vida como um todo. Muitas vezes, reflete o bem-estar psicológico e um estado de espírito que consiste em paz interior, satisfação com a própria vida, alegria de viver, benevolência e cordialidade consigo mesmo e com os outros, sensibilidade à beleza da natureza, cultura e arte e convivência harmoniosa com o meio ambiente.

Além disso, os níveis de felicidade podem flutuar ao longo do tempo, de acordo com eventos positivos e negativos de vida e assim, a felicidade pode também ser considerada como a soma de muitos pequenos prazeres e de momentos felizes.

Quem são as pessoas relativamente felizes?

Segundo estudos, algumas culturas (especialmente as culturas marcadas pela liberdade política) são propícias para aumentar a satisfação com a vida. Além disso, certos traços de temperamentos também parecem predispor alguém a experimentar a felicidade. Alguns desses traços, notavelmente a extroversão, o otimismo e o contentamento são preditores importantes, sugerindo que ter uma perspectiva de vida otimista e contente com o que se tem está diretamente relacionado à felicidade.

O que mais pode influenciar a felicidade pessoal?

Riqueza e bem-estar

Quando as pessoas em nações mais pobres comparam seus estilos de vida com a abundância das nações ricas, eles podem se tornar mais conscientes de sua pobreza. No entanto, entre as nações com produto nacional bruto elevado, a correlação entre a riqueza nacional e o bem-estar se evapora.

Em países com muita desigualdade social como a Índia, onde a baixa renda ameaça o acesso às necessidades humanas básicas com maior frequência, estar relativamente “bem de vida” prediz um maior bem-estar. No entanto, em países ricos, onde a maioria das pessoas pode pagar pelas necessidades da vida, a riqueza importa surpreendentemente pouco. Exemplos são observados em países da Europa Ocidental, Estados Unidos e Canadá, onde a correlação entre renda e felicidade pessoal, é virtualmente insignificante.

Assim, nesses estudos, conclui-se que a felicidade tende a ser menor entre os muito pobres, no entanto, uma vez confortável, o dinheiro não aumenta proporcionalmente a felicidade.

Relacionamentos próximos e bem-estar

A busca por sensação de pertencimento e o desenvolvimento de relacionamentos interpessoais são fatores que interferem nos níveis de felicidade.

Em geral, estar apegado a amigos e parceiros com quem podemos compartilhar pensamentos íntimos tem dois efeitos, acreditava Francis Bacon (1625): “Ele redobra alegrias e corta as dores pela metade”

Estudos mostram que, em comparação com aqueles que nunca se casaram, e especialmente em comparação com aqueles que se separaram ou se divorciaram, pessoas casadas relatam serem mais felizes e mais satisfeitas com a vida.

Ainda menos felizes do que os solteiros ou divorciados, são aqueles em casamentos não muito felizes. Assim, aqueles que consideram seu casamento como “muito feliz” estão entre as mais felizes das pessoas: 57% dos que declararam que a vida como um todo é muito feliz (em comparação com 10% daqueles cujo casamento é ” feliz” e 3% daqueles com um casamento” não muito feliz “)

Então, por que as pessoas casadas são mais felizes? A hipótese para o fenômeno seria de que o casamento oferece às pessoas novos papéis, proporcionando novas tensões, mas também recompensas adicionais e fontes de identidade e autoestima. Quando marcado por intimidade, o casamento – amizade selada pelo compromisso – reduz a solidão e oferece um amante confiável como companhia.

Fé e bem-estar

Algumas formas de experiências religiosas correlacionam-se com preconceito e culpa, mas em geral uma religiosidade ativa está associada a vários fatores de saúde mental positivas.

Pessoas de fé também tendem a reter ou recuperar maior felicidade depois de sofrer divórcio, desemprego, doença grave ou luto. Há um estudo de metanálise que mostra que em pessoas mais velhas, os dois melhores preditores de satisfação de vida tem sido saúde e religiosidade.

Procurando explicar essas associações entre fé e bem-estar, os pesquisadores consideraram várias possibilidades. Uma explicação parcial parece ser que a fé em comunidades fornece apoio social e reforça relacionamentos interpessoais. Outra possível explicação para a correlação da fé e bem-estar é o sentido de significado e propósito que muitas pessoas têm na derivação de sua fé.

Conclusões

O que sabemos sobre felicidade até agora? Idade, sexo e renda (assumindo que as pessoas tenham o suficiente para pagar as necessidades da vida) dão poucas pistas para o nível de felicidade de alguém.
Assim, a felicidade depende, menos das coisas exteriores do que a maioria supõe. As pistas para maior felicidade vêm de conhecer as características das pessoas e a qualidade de suas experiências de trabalho e lazer, saber desfrutar de uma rede de apoio de relacionamentos íntimos e saber se a pessoa tem uma fé que abrange apoio social, propósito e esperança de vida.

Referências Bibliográficas

  1. Bekhet, Abir K., Jaclene A. Zauszniewski, and Wagdy E. Nakhla. 2008. “Happiness: Theoretical and Empirical Considerations.” Nursing forum 43(1): 12–23.
  2. Consulting, Cornman, and Chapin Pl. 2015. “Well-Being in Later Life.” 76(5): 930–48.
  3. Myers, David G. 2000. “The Funds, Friends, and Faith of Happy People.” American Psychologist 55(1): 56–67.

Gabriela Cristina de Souza Camargo
Médica Psiquiatra

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