Psicologia Clínica de abordagem Fenomenológica Existencialista

Liberdade como condição ontológica do ser humano, historicidade, projeto e desejo de ser, dentre outros, são conceitos fundamentais na abordagem psicoterapêutica baseada na obra de Jean-Paul Sartre (1905-1980), autor de mais de 60 livros. Se, de acordo com o filósofo, “não importa o que fizeram de nós, e sim o que fazemos do que fizeram de nós”, significa que não estamos condenados a seguir um destino traçado, a ser desta ou daquela maneira, apesar das contingências. Ao compreendermos os acontecimentos concretos em nosso passado e a maneira como conseguimos elaborá-los (com as condições que tínhamos) na infância, na adolescência ou na idade adulta, temos a possibilidade de mudar o rumo de nossa história (o futuro), agindo no presente: podemos ser sujeitos de nossa vida.

Ainda nessa perspectiva, “a existência precede a essência”, ou seja, não nascemos com uma personalidade formada, com características prontas. Vamos nos constituindo ao longo de nossa vida na relação com os outros, com a materialidade, com o tempo e com o nosso corpo.

As experiências significativas, sejam de atração ou de repulsão, são vividas na espontaneidade e caem no passado e é o contexto no qual estamos inseridos, em suas dimensões sócio-histórica, cultural, econômica, política e familiar que servem de base para sua elaboração e apropriação. Assim, é durante essa trajetória que vamos, em um movimento dialético, nos experimentando como capazes ou não de realizar determinadas ações no mundo e de ocupar determinado lugar na sociedade. Esse futuro vislumbrado, de perspectivas amplas ou reduzidas, é o projeto que vamos constituindo e em direção ao qual nos dirigimos por meio de movimentos concretos: ao estudar, ao trabalhar, ao participar de determinados grupos sociais, ao escolher formas de lazer, constituir família etc.

O trabalho psicoterapêutico realizado nessa abordagem consiste em verificar com o sujeito, em sua situação atual, quais são os impasses, as dificuldades de ordem material, social e psicológica que o estão impedindo de avançar em direção ao seu futuro (projeto de ser). Ao descrever ocorrências que causam sofrimento, dúvidas, conflitos e/ou mal-estar no presente, podemos encontrar a relação de identidade com episódios significativos vividos no passado, revisitando-os com um olhar crítico.  Mediar a compreensão acerca de sua dinâmica psicológica, da forma como é “capturado” pelas emoções em alguns momentos, da função do passado e da força do futuro que o puxa é fundamental para que tenha autonomia e realize suas escolhas em nova perspectiva e em consonância com seu projeto. Este é o propósito de nosso trabalho na clínica psicoterapêutica de abordagem fenomenológica existencialista.

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