Interconsulta Psiquiátrica

A Interconsulta Psiquiátrica – consultoria psiquiátrica ou psiquiatria de ligação – se refere à atuação do psiquiatra que avalia e indica um tratamento para pacientes que estão internados em uma unidade hospitalar, atendendo à solicitação de um médico assistente de outra especialidade. É uma atividade interprofissional e interdisciplinar, que permite uma integração dos princípios da Psiquiatria com os de outras áreas da Medicina.

A presença do psiquiatra no serviço pode ser episódica, respondendo a uma solicitação específica, ou pode ocorrer de forma contínua e implica num maior contato com os serviços do hospital geral, em que o profissional de saúde mental realiza um acompanhamento regular do paciente durante o período de internação. E, nesse caso, pode participar ativamente, em reunião com a equipe médica que assiste o paciente, lidando com aspectos da relação estabelecida entre equipe assistencial, paciente e instituição.

O objetivo maior do trabalho do psiquiatra no hospital geral é melhorar a qualidade da atenção ao paciente, proporcionando cuidados integrais em todos os aspectos envolvidos na situação de estar doente e hospitalizado. Além de estudar e dar enfoque à causalidade psíquica das manifestações somáticas, e as comorbidades psiquiátricas ou transtornos do comportamento que requerem atenção específica. O atendimento psiquiátrico a pacientes hospitalizados melhora a qualidade da assistência ao paciente, reduz o tempo de hospitalização e diminui as reinternações.

Geralmente, o psiquiatra é chamado para auxiliar no diagnóstico e tratamento de pacientes com distúrbios psiquiátricos; instrumentalizar o médico assistente a lidar com situações emergentes de natureza psicológica que ocorrem com os pacientes e familiares; orientar o médico da outra especialidade quanto ao manejo dos psicofármacos; ampliar a compreensão do paciente em seu contexto biopsicossocial; decidir sobre a interrupção ou manutenção de tratamentos em pacientes graves; lidar com situações nas quais o paciente não aceita a continuar um tratamento e/ou se submeter a um procedimento.

Na maioria das vezes o psiquiatra é solicitado para avaliar o estado mental do paciente, colaborar no diagnóstico diferencial entre etiologia “orgânica” ou “psíquica”, atender casos de tentativa de suicídio e para acompanhar pacientes submetidos a procedimentos traumatizantes, como amputações e cirurgias de grande porte.

Cerca de 50% dos pacientes internados em hospital geral apresentam algum tipo de distúrbio psiquiátrico. Os transtornos observados podem ser a expressão de um problema mental crônico, de manifestação psiquiátrica decorrente do quadro clínico de base, ou ainda, de reações à doença aguda, de seu tratamento e da hospitalização.

Os principais diagnósticos psiquiátricos em pacientes internados em hospital geral são: reações de ajustamento ao adoecer e à internação, com sintomatologia predominantemente depressiva; estados confusionais agudos associados a quadros cérebro-orgânicos decorrentes de quadros infecciosos (encefalites, meningites, toxoplasmose cerebral, abcessos cerebrais, SIDA, septicemia, etc), distúrbios metabólicos (diabetes, insuficiência renal, insuficiência hepática, etc), intoxicações exógenas (acidentes, uso de drogas, tentativas de suicídio), alcoolismo (síndrome de abstinência, síndrome de Wernicke-Korsakoff), vasculopatias cerebrais (hipertensão, diabetes, arteriosclerose, vasculite por lupus, etc).

Apesar de causarem considerável sofrimento e implicações clínicas, pelo menos 30% dos pacientes acometidos por transtornos mentais não são reconhecidos como tais pelos seus médicos.

Há outras situações em que colegas médicos de outras especialidades também necessitam de um parecer do psiquiatra para a avaliação do estado mental do paciente antes de ser submetido a cirurgias eletivas – como a bariátrica ou neurocirurgia – o que auxilia na decisão e definição de conduta.

Os profissionais psiquiatras do INCB estão habilitados e possuem experiência na prestação do serviço de Interconsulta nos hospitais gerais de Brasília, em enfermarias de outras especialidades. Basta o médico assistente ou o familiar do paciente internado comunicar a solicitação de um parecer psiquiátrico através do contato telefônico da clínica.


  1. Nogueira-Martins  LA,  Botega  NJ.  Interconsulta  psiquiátrica  no  Brasil:  desenvolvimentos recentes. Revista ABP-APAL 20(3):105-111, 1998.
  2. Botega, N J. Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. 3ªed. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Autoria: Dra. Fabíola Leão

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